quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Se você estuda ou trabalha com Gestão do Conhecimento, estou disponibilizando, sem qualquer ônus – exceto o trabalho de pegar comigo – 7 cadernos de texto com centenas de artigos sobre o tema, coletados durante minha vida acadêmica.

Se lhe interessa, mande um e-mail para lourenco@jlourenconeto.com.br, e bom proveito com os artigos.


José Lourenço

Autoconhecimento e carreira
José Lourenço de Sousa Neto

Autoconhecimento é fundamental para ter vida e carreira bem sucedidas. Sem se conhecer, como o indivíduo pode saber o que quer e o que o faz feliz? Se não sabe dos próprios recursos, como enxergar até onde pode ir? A partir de que ponto precisa buscar parcerias e novos aprendizados e ferramentas? Desconhecendo seus limites, ele pode comprometer seu crescimento pessoal e profissional. Muita gente fala que quer ser feliz e ter sucesso, mas não sabe dizer com clareza o que seja uma coisa ou outra.

O autoconhecimento é demandado desde o início, quando a pessoa começa a definir que rumo quer dar à sua vida. Da escolha da profissão, ao estabelecimento de metas que pretende atingir – no planejamento estratégico pessoal. Durante a caminhada, quando for necessário rever o plano e corrigir rumos, a auto percepção será determinante.

Conhecer suas competências e habilidades, entender o que o motiva ou bloqueia, é fundamental na hora de avaliar os desafios e traçar estratégias de enfrentamento. Com isso, a pessoa usa melhor o potencial que tem e reserva energias para manter-se produtivo por mais tempo. Sem isso, corre o risco de forçar muito na arrancada, ou exagerar em alguns pontos de uma prova longa, comprometendo seu resultado.

Importa saber como comporta tanto o corpo como a mente, para se ter uma avaliação correta das potencialidades e das necessidades – mapeamento de forças e fraquezas. E cabe ao próprio indivíduo cuidar disso, conduzindo seu processo de desenvolvimento, evitando a ilusão de que a empresa ou algum “guru” fará isso por ele. Coaches, mentores, líderes e mesmo a organização, a família e os amigos, podem ser aliados valiosos, desde que saiba o que buscar deles. Caso contrário, podem acabar prejudicando, com o jogo de palpites, opiniões, diretivas, que podem desviar do rumo ou tirar o foco. Não tem como ser diferente – apenas o indivíduo, e só ele, pode saber da “dor e do prazer de ser o que se é”.

Existem vários caminhos para o autoconhecimento. Abaixo apresentamos algumas sugestões.

  Meditação – cada vez mais citada hoje em dia, a meditação permite um mergulho interior que traz, com a prática disciplinada, uma profunda abordagem pessoal, com iluminação de pontos sombrios, e às vezes inusitados, da própria mente. E inúmeros outros benefícios, especialmente na saúde geral, como a ciência começa a descobrir.

   Diário – o hábito de escrever um “diário de bordo”, como alguns gostam de chamar as anotações pessoais feitas todo final de jornada, é muito útil. Ao se dar um tempo para pensar como foi seu dia, o que cumpriu da agenda e o que foi postergado, experiências novas e, principalmente, emoções experimentadas, a pessoa descobre-se um pouco mais. É importante a anotação, porque a memória não é confiável. Ao reler os registros, pode-se aprofundar mais no autoconhecimento. A sinceridade e a franqueza consigo, nesse exercício, é fundamental para que o indivíduo não caia na armadilha do elogio próprio, iludindo-se com os confetes do louvor autoconcedido.

  Foco no corpo – as sensações corporais podem revelar muito mais do que se imagina. Ao sentir uma ligeira dor de cabeça, a pessoa recorre logo a um analgésico. Perde uma chance valiosa de aprender alguma coisa sobre si. Todo desconforto, psicológico ou físico, tem sua razão de ser. Deve-se dialogar com o incômodo: por que ele está acontecendo? Qual sua causa? Quais os possíveis desdobramentos? O que, em síntese, pode ser aprendido com ele?

Alguém já disse que “não basta sofrer. É preciso saber sofrer”. Não aprender a lição da dor é candidatar-se a repeti-la.

  Sair do automático – “quando descasco uma laranja, eu descasco uma laranja” (de um mestre budista). Essa fala, que pode parecer de uma obviedade torturante para os apressadinhos, remete à nossa maneira corriqueira de pensar e agir. Enquanto descascamos uma laranja, nossa mente vagueia por inúmeros outros lugares; nosso cérebro ferve com pensamentos que nada têm a ver com o que estamos fazendo. O convite, aqui é para que prestemos atenção no que estamos fazendo, como estamos fazendo, no propósito da ação. E permitir-se sentir a experiência – o tato, o odor, a visão, etc. Isso abre espaço de aprendizado onde o automatismo tinha jogado suas sombras, levando a pessoa a dar-se conta do que faz, como e porque faz.

  Questionamento constante – checar sempre a maneira como faz as coisas, questionando a validade de velhos fundamentos, e verificar se não há forma melhor de fazer, leva o indivíduo a “sair da caixa” e a desenvolver espírito inovador. Não se inova apenas em grandes realizações. Isso é raridade. Pequenas melhorias, acumuladas tarefa a tarefa, dia a dia, causam, depois de algum tempo, verdadeiros tsunamis no cotidiano. O pessoal da área da ciência que o diga. Além desse processo de “melhoria contínua”, a pessoa mapeia-se mais um pouco a cada auto arguição.

 Cursos e treinamentos – como PNL, liderança pessoal, específicos de autoconhecimento, entre outros, também podem ajudar muito.

As sugestões acima são apenas exemplos do que cada pessoa pode fazer, desde que se disponha ao autoconhecimento.
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Veja o que alguns empresários, que também são desportistas dedicados, dizem sobre o autoconhecimento advindo do esporte que praticam:

   “Ligado o tempo todo” e capacidade de planejamento; agilidade nas decisões. – (Luiz Augusto Milano, Matec Engenharia; bicicleta).

  “Aprendi a ser responsável pelos meus resultados. Tenho de ter disciplina, ir atrás, ser protagonista. Você precisa saber o que conhece para saber aonde pode chegar. Você precisa construir seu resultado dia após dia.” – (Pedro Chiamulera, ClearSale; corrida).

  “Toda vez que entro no mar, tenho receio. Mas uma coisa é chegar com medo e despreparado. O importante é não arriscar demais. O limite é esse.” – (Roberto Cantoni Rosa, UM Investimentos; surf).

   “O importante é entender até onde posso ir. Só assim encontro o caminho e consigo fazer o melhor planejamento. Se não faço isso, não consigo ter desafios maiores. Aprendi a olhar para todos os lados, analisar profundamente. Se você quer ter sucesso, comece por onde já conhece. Só depois faça o que não tem costume. A experiência – e saber ir devagar, no tempo certo – é fórmula para chegar ao final com um bom resultado.” – (Andrea Guasti, Cisa Trading; alpinismo).

(Artigo baseado na reportagem “Qual é o seu limite” – Lucas Rossi, revista Você S/A – ed. 186, nov/2013).
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Ouça o que fala Diego Martins, da Acesso Digital (http://www2.acessodigital.com.br/), sobre autoconhecimento (entre outros assuntos), em entrevista a Milton Jung, da CBN è http://cbn.globoradio.globo.com/boletins/cbn-young-professional/CBN-YOUNG-PROFESSIONAL.htm.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016


Por que tanta tolerância com maus profissionais?
José Lourenço de Sousa Neto

É curioso, para não dizer penoso,  ver o quanto de esforço, tempo, dinheiro, criatividade, etc., as empresas gastam para transmitirem imagem de eficiência e, ao mesmo tempo, põem tudo a perder mantendo profissionais inadequados em seus quadros.
Custa muito conquistar um cliente. O esforço seguinte, para mantê-lo dentro de casa, é uma batalha diária. Conseguir sua fidelidade e fazer com que repita seus pedidos, são proezas que merecem comemoração. E nessa luta, empresários e gestores não poupam suas melhores energias e despendem um bom dinheiro. E, focados apenas num lado do processo, se dão por felizes e merecedores dos melhores resultados... que não vêm!
Desatentos com o outro lado dessa moeda, os gerentes esquecem que seus planos e idéias deverão ser implementados pelas pessoas que compõem o time. E quanto maior o desafio, quanto melhor o plano, quanto mais sofisticada e cara a estratégia, mais competentes têm que ser essas pessoas. Não há como executar uma jogada sensacional – no papel – sem bons atletas – em campo. Se os funcionários não acompanham a montagem do planejamento, não vão realizá-lo. Por acompanhar refiro-me não só à participação possível na elaboração, mas também no sentido de se comprometerem com ele, darem seu aval e nele se empenharem. E esse descasamento entre “jogada” e “jogadores” pode-se dar por despreparo dos jogadores – inadequação de perfil e treinamento, recrutamento mal feito, falha na comunicação da empresa ou desinteresse das próprias pessoas – “corpo mole”, para usarmos outra metáfora do futebol.
Explorando melhor essa situação, cabe perguntar por quê isso ocorre. Se empresários e gerentes não se poupam, nem ao dinheiro da empresa, no planejamento e organização, por que falham tão lastimavelmente convivendo com pessoas que não condizem com o esperado delas? Se erraram na contratação, por que não reparam via treinamento? Se o treinamento não funcionou, por que não tentam via coaching (já que está na moda), com orientação e acompanhamento individualizado? Se, ao final, nada dá certo, por que mantêm essas maçãs podres no cesto?
Uma possível resposta para a tolerância com maus profissionais, seja a própria incompetência de quem gerencia. Por não estarem preparados para a função, ou por não se sentirem seguros o suficiente, muitos gerentes optam por conviver com pessoas medíocres, que não lhes farão sombra. Ou que possam dominar mais facilmente.
Essa afirmação pode causar certa repulsa a algumas pessoas. Mas uma observação mais criteriosa permitirá identificar, com muita facilidade, esses gerentes despreparados. Na verdade, eles são muito mais numerosos do que se pensa.
Cercar-se de pessoas competentes demanda coragem e disposição para o trabalho. O técnico de um time de azes terá que se movimentar muito mais, para atender ao anseio das pessoas. Não precisa ser um atleta, como os membros da equipe, mas deverá atender às necessidades do grupo, para que ele possa produzir o máximo que seu potencial permite. Fala-se muito do “líder servidor”, e é aqui onde ele é demandado mais claramente – comandar um grupo de pessoas melhores do que ele, nas atividades individuais. Seu papel será o do facilitador, removendo obstáculos e promovendo, na medida do possível, ações que permitam a cada jogador encontrar sua própria motivação.
No ambiente empresarial, especialmente, sofrerá pressão constante por parte daqueles que querem ascensão profissional – ele pode estar sendo um obstáculo no caminho destes. Acaba sendo mais fácil, para quem não tem a coragem e determinação suficiente, montar a equipe com pessoas mais fracas do que ele próprio, mas que não lhe darão dor de cabeça.
Isso, entretanto, não perdura. Mas é assunto para outro momento.
Existem, evidentemente, as pessoas que não se adequam às demandas do trabalho e que devem ser afastadas. Mas todo gerente, antes de criticar sua equipe, deveria pensar que estará falando, antes de mais nada, de si mesmo. Ao afirmar que seu time é “um bando de incompetentes”, está assumindo que ele próprio é “um gerente incompetente”; se disser que tem “uma equipe de primeira”, é porque ele, talvez, seja “um chefe de primeira” – pelo menos terá o mérito de ter montado ou estar mantendo o grupo coeso.
Existem, evidentemente, exceções. Muitos gerentes, especialmente de órgãos públicos, reclamam da impossibilidade de trocar, como gostariam, seu pessoal, eliminando os fracos e atraindo os melhores. Sem desconsiderar essa realidade, cabe questionar por que ele convive com essa situação. A própria acomodação do chefe, muitas vezes por causa da estabilidade que o emprego oferece, contribui para a manutenção do problema. Não se pode abdicar da própria responsabilidade – a omissão pode ser tão danosa quanto a ação que se condena...
É triste ver o quanto de esforços e recursos são jogados no lixo, pela postura inadequada de um funcionário – e do seu chefe omisso. Um vendedor mal humorado prejudica o visual maravilhoso da loja e torna mentiroso todo comercial que prega o respeito do estabelecimento pelo cliente. Um operador de telemarketing, ou call-center, desatento, desinteressado e grosseiro, joga no lixo todo o investimento em tecnologia e instalações. O funcionário que não se conscientiza de que motivação é algo inerente à pessoa, que vem de dentro, e não algo que a empresa provê, como se fosse responsabilidade dela, como é fornecer móveis e equipamentos adequados, vai se tornar num foco pernicioso de reclamações e reivindicações inconvenientes, inadequadas e inoportunas. E, como a maçã podre a que nos referimos, acabará por contaminar os outros colegas, seja pelo mau exemplo que dá, seja pela leniência da empresa para lidar com tais situações. E quem responde por ele é, na verdade, fiador, avalista de sua conduta!
É importante considerar que essas pessoas estão ocupando o lugar de outras, mais competentes, que andam à busca de oportunidade de trabalho.

Todo gerente e empresário tem que estar atento a isto. Não vale a pena conviver com maus funcionários. É perda certa para a empresa e injustiça para com aqueles outros, mais sérios, capazes e desejosos por contribuírem, em troca de um salário justo.
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