quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DEDICAÇÃO

Roberto Shinyashiki

Dedicação é a capacidade de se entregar à realização de um objetivo.
Não conheço ninguém que tenha progredido na carreira sem trabalhar pelo menos doze horas por dia nos primeiros anos.
Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá de se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.
Se quiser um casamento gratificante, terá de investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.
O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem.
Mas, para conseguir um resultado diferente da maioria, você tem de ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.
Não se compare à maioria, pois, infelizmente, ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá de estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.
Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.
Terá de trabalhar, enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende da dedicação.
Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica.
Mas toda mágica é ilusão.
A ilusão não tira ninguém do lugar onde está.
Ilusão é combustível de perdedores.
“Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio.
Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa”.
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Este texto de Shinyashiki pode ser encontrado em vários locais na web, inclusive aqui: http://diariodeumabibliotecaria.blogspot.com/2006/11/dedicao-autor-roberto-shinyashiki.html.


domingo, 25 de dezembro de 2011

Receita de Ano Novo!

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Simplicidade

José Lourenço de Sousa Neto*

A simplicidade não dá Ibope, definitivamente!
Preferimos complicar nossas vidas e a dos outros, fugindo das medidas e atitudes simples, procurando dar charme e uma falsa aura de nobreza ao que fazemos. E nisso sacrificamos o entendimento e a utilidade. E não percebemos nossa culpa - infelizmente somos tão incompreendidos... não alcançam nosso valor e a profundidade de nossas contribuições... Fazer o quê, então?!
No ambiente de trabalho, é incontável o número das situações que poderiam receber soluções rápidas e de fácil implementação, se optássemos pelo simples. Preferimos soluções mirabolantes e pretensamente grandiosas a práticas mais pé-no-chão. Isso nos dá assunto para os encontros e seminários, quando podemos expor nossas políticas e planos baseados na última moda.
E por falar em moda, a ojeriza de muitos gestores ao simples e óbvio enriquece os gurus dos negócios. Não dialogam com os funcionários, com o pessoal que realmente pode contribuir – até porque esse pessoal é que vai ter de implementar as ações –, porque isso não dá status. Ao contrário, gastam fortunas com consultorias de grife ou engolem teorias e propostas alienígenas, que nem sequer digerem adequadamente para uma correta adaptação à cultura local. Mas, nas conversações com colegas de outras empresas, despejam o que leram e pretensamente praticam – e quantas vezes falam um monte de besteiras sem se darem conta disso.
Em família, ou na vida privada, continuamos agindo da mesma forma. Buscamos teorias mirabolantes que expliquem nossos fracassos, mas não enxergamos o óbvio – a falta de diálogo e a fuga do simples. Exemplos não faltam e seria ocioso, aqui, mencioná-los.
Certa vez vivi uma experiência interessante, que ilustra isso. Queríamos desenvolver um manual que, ao mesmo tempo em que orientasse quanto à correta maneira de fazer determinada tarefa, contivesse algum estímulo à leitura – ou iríamos cair na mesma situação de manuais anteriores, nunca lidos. Consultamos especialistas no assunto, levantamos orçamentos, namoramos produções bem elaboradas e, claro, dispendiosas mas com assinatura.
Preocupado com o gasto que iríamos ter, resolvi conversar com alguns funcionários, que usavam um roteiro que havíamos elaborado internamente, para saber deles qual seria uma boa maneira de apresentar aquele documento, de forma que todos lessem e tirassem proveito. Para minha surpresa, um desses funcionários tinha por hobby a elaboração de HQ, ou seja, era um desenhista de histórias em quadrinhos, e sua sugestão foi óbvia – elaborar o manual na forma de quadrinhos. Ele cuidou do desenho, nós, os gestores, asseguramos que o texto atendia às necessidades.
Não precisa dizer que a solução, além de resolver o problema e evitar um gasto significativo, nos permitiu descobrir e explorar a habilidade de um funcionário, que sentiu-se valorizado com isso (e deixemos claro que ele foi devidamente recompensado, antes que os críticos de plantão atirem as pedras!). Aliás, essa valorização de habilidades escondidas é assunto fértil na Gestão do Conhecimento.
Soluções simples, decorridas de uma atitude simples – conversar, dialogar, perguntar a quem vai usar... Não dói e como ajuda!
As reflexões acima foram motivadas pelo texto abaixo, que recebi via e-mail. Trata-se de uma pilhéria que tem fundo de verdade.
"Sem as justificativas de afastamento fornecidas pela guerra fria, norte-americanos e russos ingressam numa promissora fase de colaboração, especialmente na exploração do espaço sideral. Num desses momentos, ao fazerem suas anotações, a bordo de uma nave em órbita, o cosmonauta russo elogiou seu colega americano:
– Ótima, essa sua caneta.
– Não é? Ela representa nossa genialidade, engenhosidade e criatividade.
– Sério?
– Sim. Quando iniciamos os testes no simulador de gravidade zero, percebemos que as canetas esferográficas não escreviam - a tinta não fluía. Uma empresa de consultoria foi contratada para solucionar o problema. Levou uma década e investiram mais de 10 milhões de dólares, mas valeu a pena, a solução veio. Essa maravilha escreve em qualquer condição: em ambiente de gravidade zero, de cabeça para baixo, não importa a superfície, e tem a mesma performance em qualquer temperatura, seja muito abaixo de zero ou a 300ºC.
– Puxa! – admirou-se o russo. Tivemos o mesmo problema, nas mesmas circunstâncias de uso do nosso simulador – a tinta das esferográficas simplesmente não saía.
– E como vocês resolveram o problema?
– Optamos por usar lápis."
Se procurarmos mais o lápis e deixarmos de lado um pouco nossa arrogância novidadeira e nossa fome por soluções sofisticadas, tornaremos nossas vidas e as dos que nos cercam mais fácil, com certeza.

* José Lourenço de Sousa Neto é Administrador, pós-graduado em Gestão Estratégica e Mestrado em RH; bacharelando em Filosofia; estudante de Psicologia Humanista e Transpessoal, no IHP/BH, e Análise Transacional. Coach certificado pelo SBC. PNL Practitioner. Empresário, consultor, facilitador de treinamentos e professor.

Abaixo a mediocridade!

José Lourenço de Sousa Neto*

Há quem diga que apenas 5% das pessoas de um grupo, seja ele qual for, fará a diferença e deixará uma marca para o futuro. Não sei sobre as bases desse percentual e ele pode ser exagerado, mas tenho observado, ao longo da minha experiência, que sempre encontramos nas equipes pessoas que nada agregam, no meio de outras que se empenham para apresentarem resultados.

Quando há um processo efetivo de avaliação e acompanhamento de performance, aliado a um programa de treinamento bem direcionado, com a substituição, quando isso se mostra indispensável, dos elementos dissonantes, dá para aceitar a presença dos maus profissionais. Afinal, trabalhando com grupos heterogêneos e com competências variadas, nunca vamos encontrar uma equipe perfeita e acabada.

As equipes são organismos em constante evolução. Perdem partes que não aproveitam, mas agregam outras, que deverão atender às suas necessidades. Um bom processo de seleção evitará a entrada de funcionários inadequados. O acompanhamento identificará as necessidades de treinamentos e orientações. Um programa de treinamentos e desenvolvimento acertará as arestas. Essas três engrenagens, bem calibradas e lubrificadas, ajudam a assegurar um time de alto nível e com baixo turn-over. Mas as incompatibilidades sempre existirão e indivíduos que destoam do conjunto, mesmo com todo o esforço descrito acima, sempre surgirão.

O que não dá para entender é a razão para que tais pessoas sejam mantidas no grupo. A influência delas sobre as demais é deletério. Para a empresa, trazem  mais problemas e prejuízo do que agregam. Por que permanecem? Por que não são demitidas, uma vez esgotados todos os meios razoáveis de recuperação?

O funcionário incompetente pode por a perder todo o esforço de desenvolvimento da empresa. Todo esforço apara alavancar a motivação e obter resultados vai por água abaixo, se a empresa convive sistematicamente com funcionários ruins e sem recuperação. Por que os outros haveriam de se esforçar, se não precisam apresentar resultados para continuarem trabalhando? Por que trabalhariam bem, se vão ganhar o mesmo que o incompetente ao lado?

Na maioria das vezes as justificativas para a manutenção de maus operários são pouco inteligentes e não convencem.

Pode-se alegar o custo da demissão – mas não é preciso ser um gênio das finanças para saber que a perda que esses indivíduos acarretam é muito maior do que qualquer despesa rescisória. Perda de imagem; influência negativa sobre o grupo; prejuízo direto por um trabalho mal executado; receita perdida por um esforço não aplicado, etc.

Algumas vezes são evocados motivos humanistas – afinal de contas estamos lidando com seres humanos, não com peças da máquina que se chama Empresa. As considerações humanistas só se justificam se estamos tratando com profissionais usualmente competentes, que estejam passando por uma fase particularmente difícil, provocados quase sempre por problemas pessoais. A esses cabe o apoio da empresa e toda a ajuda possível, para que superem o momento mais complicado e voltem ao padrão anterior. Mas o mesmo argumento não pode ser aplicado aos incompetentes crônicos. Ter pena desses não é fazer justiça. Primeiro, porque aos lhes premiar a desídia, perpetua-se o vício. Segundo, porque é uma injustiça flagrante contra os outros funcionários, que são obrigados a se desdobrarem para darem conta do próprio trabalho e das atividades do incompetente. Isso derruba o moral de qualquer time. E, por último, porque também comete-se injustiça contras outras pessoas, realmente preparadas e dispostas a contribuir, mas que amargam o desemprego porque incompetentes roubam-lhes as vagas de trabalho.

Todo gestor tem por obrigação precípua a formação e manutenção de equipes de alto nível e boa performance. E não conseguirão fazer isso convivendo com a mediocridade e deixando de fora profissionais de valor. Além do mais, a permanência no time de um ou mais jogadores despreparados e sem possibilidade de ajustamento, levará à derrota – não deles, mas de toda a equipe.

*O autor é Administrador, pós-graduado em Gestão Estratégica e Mestrado em RH; bacharelando em Filosofia; estudante de Psicologia Humanista e Transpessoal, no IHP/BH, e Análise Transacional. Coach certificado pelo SBC. PNL Practitioner. Empresário, consultor, facilitador de treinamentos e professor.