domingo, 12 de agosto de 2012


“O movimento de [auto]transformação, numa compreensão dinâmica, tem como passo primordial a autoaceitação, mesmo que isso inicialmente nos cause um embaraço, como se este ‘aceitar’ fosse uma forma de acomodação ou conveniência.

Quando alguém é efetivamente capaz de aceitar como se encontra e acolher suas imperfeições, por este simples gesto, se verdadeiro, já iniciou o desenvolvimento da mais importante virtude que se opõe ao ego adoecido: a humildade.

Como é possível amar alguém – a mais meritória de todas as virtudes – se primeiro não aprender a aceitá-lo como é? Então questionamos: seria possível alguém aceitar outra pessoa sem que seja capaz de fazer isso consigo próprio? Seria possível fazer um movimento emocional com o outro, o qual eu desconheço?

Por tudo isso, concluímos que quando nos aceitamos indistintamente, somos capazes de aceitar os outros. E aceitando os outros, conseguimos conviver, compreender, ser indulgentes, misericordiosos e capazes de perdoar. E o que é o amor, o sentimento por excelência, senão a vivência de todas estas virtudes? Basta aceitar-se verdadeiramente.”

(Marlon Reikdal, psicólogo junguiano, Curitiba/PR
 in Refletindo a Alma, Salvador: Ed. Leal,  2011, pg. 390;)

Nenhum comentário:

Postar um comentário