quinta-feira, 9 de agosto de 2012


“Qualquer tipo de relacionamento deve ter como estímulo a amizade e o desejo honesto de que ambos sejam satisfeitos, sem que haja predomínio de uma vontade sobre a individualidade do outro. Por isso é necessário cuidarmos para não julgar precipitadamente o outro e estabelecer conceitos equivocados pelos efeitos que o outro gerou em nós. (...) A generalização e o preconceito são frutos da nossa incapacidade de conhecer o outro e do medo de nossa própria mediocridade escondida na nossa sombra interior, que é projetada no outro.”
(Gelson L. Roberto, mestre em Psicologia e analista junguiano; Porto Alegre/RS)
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“Esta é a era em que a ciência e a tecnologia demonstram a enormidade da consciência humana, pois em nenhuma outra época da história da humanidade chegou-se tão perto do domínio da natureza física, mas é também o período em que a incapacidade de compreensão da natureza psíquica, a alma, manifesta-se tão terrivelmente como nunca. Nunca na história da Humanidade precisamos tanto de Deus. Nunca foi tão urgente para o homem e a mulher o encontro consigo mesmo. (...)
Falta-nos o conhecimento de nós mesmos. O homem e a mulher como seres no mundo perdem-se em seu vazio de sentidos. (...)
As inscrições na entrada do templo de Apolo, em Delfos, apresentam muita significação na sociedade atual: ‘Conhece-te a ti mesmo’ e ‘Nada em excesso’. O século XXI chegou e o autoconhecimento não, ou melhor, os indivíduos não conhecem a própria sombra e tudo o que conseguiram foi transformar a sociedade na ‘sociedade do excesso’, é gente demais, violência demais, poluição demais. (...)
E nessa sociedade que toma como ponto de direção o materialismo, é fácil deixar-se guiar pelo mundo do dinheiro e dos objetos e esquecer-se das riquezas do mundo interior, vivendo-se de forma unilateral. Mas, como afirma Jung, ‘quando os conteúdos inconscientes ficam reprimidos por serem continuamente ignorados, acabam por impor sua influência sobre o consciente, uma influência de caráter patológico. É por isso que ocorrem distúrbios nervosos’. E esse é muitas vezes o ponto de partida para a depressão. (...)
‘O homem não pode suportar uma vida sem significado’ (Jung).”
(Iris Sinoti, especialista em terapia junguiana e RH, terapeuta transpessoal; Salvador/BA)
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In Refletindo a Alma, Ed. Leal, págs. 287 e 299 a 303.

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