segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Vontade
                                              Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
                                                                  

Vontade é a força psíquica que move as energias humanas e põe em função as determinações da inteligência para bem, defesa e superação do indivíduo. A falta de vontade anula essas possibilidades e prostra o ser na indiferença e na inércia, faz fracassar a inteligência e chega até a perverter a sensibilidade, porque o expõe a todas as tentações e contingências que o espreitam.
Os movimentos da vontade, pequenos ou grandes, são impulsionados por dois fatores de primordial importância que se alternam e substituem, temporariamente ou permanentemente: a necessidade e o estímulo.

A necessidade atua sobre a vontade, determinando movimentos quase automáticos que forçam o ser a realizar até aquelas coisas que não quer ou que deveria fazer espontaneamente, a instâncias de seu pensar e sentir; seu principal agente é a premência, que não admite dilações de nenhuma espécie, enquanto urge o cumprimento de uma obrigação, de um dever ou a satisfação de uma exigência iniludível.

O estímulo age também sobre a vontade, mas além disso ativa a inteligência e o sentimento, despertando o nobre afã de substituir a escassez pela abundância em cada um dos setores da vida em que a vontade desempenha papel preponderante.

A vontade se excita e adquire brio quando este último fator intervém. Por mais cansada que uma pessoa se encontre ao término de uma jornada, se lhe é oferecida a oportunidade de recrear-se ou distrair-se com algum passatempo favorito, dificilmente deixará de fazê-lo. Isto significa que a perspectiva de passar um momento agradável influi aqui diretamente sobre a vontade, ativando-a. Fica demonstrado assim como se mobiliza a vontade, acicatada por um estímulo qualquer, o que dá ideia do muito que se pode conseguir quando ela se ativa em virtude de estímulos altamente edificantes, como os que o conhecimento transcendente proporciona.

(...)

A antideficiência que aconselhamos aplicar nos casos de falta de vontade é a decisão. Para que seja efetiva terá de ser praticada conscientemente, com responsabilidade – como o requer toda antideficiência – sobrepondo-se com empenho à inação, até triunfar no forcejo psicológico. O ser deve demonstrar que é capaz de contrapor à abulia que o domina a decisão de combatê-la. Assim conseguirá ter vontade para tudo.

Será necessário, em primeiro lugar, querer uma coisa ou querer fazer algo; mas querê-lo com força, para ensejar que a antideficiência entre em vigor. Só o fato de pensar que estamos levanto à prática uma disposição emanada de nós mesmos, que tem por fim imediato nosso próprio benefício, contribuirá de maneira decisiva e sem maiores tropeços para a consecução daquilo que buscamos.

(...)

A decisão vigoriza o temperamento e faz com que o ânimo se recupere no instante mesmo em que começa a decair. A vontade, assim fortalecida, vai-se erigindo em valor inapreciável, constituindo-se na força que move o homem na procura dos bens que prometeu à sua vida e ao seu destino.
Tendo isso presente, não se deixarão para amanhã as coisas que se possam fazer hoje, visto que, fazê-las oportunamente, permite ganhar um tempo que no dia seguinte poderá destinar-se a outros afazeres.

(...)

É muito o que o homem pode conquistar no campo das realizações superiores, sendo o saber a prerrogativa máxima que lhe foi concedida. Não existe, pois, maior estímulo para a vida.

O saber aumenta a vontade e faz com que tudo se consubstancie na ação.

[Extrado do cap. Falta de vontade, da obra Deficiências e Propensões do Ser Humano; São Paulo: Ed. Logosófica, 1984; 2ª parte – Deficiências, pág. 37]
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