sábado, 18 de julho de 2015



Sempre podemos tirar melhor proveito do nosso trabalho!
                                               José Lourenço de Sousa Neto 
                     
Muitas vezes, por esperar a oportunidade ideal, de um emprego que nos dê a mais ampla satisfação das necessidades, a felicidade plena, perdemos chances maravilhosas de crescimento e realização.

Não existe o trabalho ideal. Estamos sempre querendo alguma coisa mais. Alcançamos um nível e logo olhamos para o próximo desafio. E isto é bom. É sinal de que estamos vivos e nosso potencial é infindável.

Da mesma forma, a satisfação das necessidades não tem fim. Realizamos um sonho para, logo em seguida, elegermos outro. Também isso é bom – dar-se por satisfeito em tudo é o mesmo que estar morto.

Resta o aproveitamento do momento que passa. Tirar dele tudo o que for possível, para nossa felicidade e construção do futuro.

Nosso trabalho ocupa a maior parte da nossa vida e é crucial para nossa subsistência. Estamos sabendo explorá-lo, seja qual for, de forma inteligente?

Podemos ser felizes em qualquer trabalho? Qualquer atividade profissional pode nos preencher e ensinar?

Sem querer ser atrevido, arrisco a dizer que sim – qualquer um de nós pode ter momentos gratificantes no emprego/ocupação que temos. E felicidade não é mais do que a soma de bons momentos. É questão de usar a inteligência, aumentar o número desses bons momentos e ampliar sua abrangência – em tempo, intensidade, horizontes, etc.

Sofremos no emprego que temos, na maior parte do tempo, porque focamos seu lado espinhoso – e qual trabalho não tem seus espinhos? –, enquanto sonhamos com o emprego que gostaríamos de ter.

Um exercício que vale a pena fazer: listar os pontos bons, as oportunidades interessantes do seu trabalho. E não se deixe enganar por afirmações do tipo:
       “Meu serviço não tem nada de interessante.”
       “Esse trabalho não tem nada a ver comigo.”
       “Não aprendo nada com esse trabalho.”

E outras...

Normalmente são afirmações da nossa má vontade em relação ao serviço que realizamos, ou de nossa preguiça em pensar um pouco mais. Sempre, pode apostar!, podemos encontrar alguma coisa positiva em nosso trabalho. A questão é querer. Você quer, realmente, ou só fala que quer, da boca pra fora?

É muito mais fácil posar de vítima do que ter autocrítica. Só que a auto-piedade é uma vergonha e nos mantem algemados ao atraso.
Vamos tomar como exemplo um vendedor de livros. Mas o raciocínio serve para qualquer trabalho.

Como você vê sua atividade? E como se vê dentro dela? Quando lhe perguntam o que você faz, sua resposta é evasiva, do tipo “trabalho com vendas”, ou, pior ainda, depreciativa – “ah, trabalho com vendas, enquanto não aparece alguma coisa melhor”? Ou você valoriza sua atividade e valoriza-se dentro dela?

- “Trabalho na área comercial da Empresa X; sou vendedor de livros.”
- “Atendo em vendas na Empresa Y; sou vendedor.”
- “Sou vendedor de livros e estou empregado na Empresa Z.”

Como você vê sua profissão e como você se vê como profissional, define você e seu meio. Aposte nisso.

Um operário da construção pode se ver como um mero quebrador de pedras, ou pode saber-se alguém que auxilia na construção de uma grande obra, quebrando as pedras que são necessárias. Questão de olhar íntimo, de escolher o que focar.

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Algumas dicas para você, que trabalha com vendas de livros (e valem tanto para o emprego numa grande livraria, quanto numa pequena):

1) Observe seus colegas – perceberá que a maioria apenas “empurra com a barriga”. Do início do expediente ao fim, arrastam-se pelos corredores da loja, fogem dos clientes, envolvem-se em grupinhos de bate-papo, odeiam cada minuto que passam ali dentro (sem se darem conta de que estão odiando a si mesmos, por se obrigarem a “esse trabalho desgraçado”). São zumbis de carteira assinada. Decida-se a não ser mais um deles.

2) Você é mais um vendedor de loja, ou empenha-se para ser “o vendedor”, diferenciado, competente? É só mais um na folha de pagamento, ou busca ser o tipo de profissional que todo empresário que se preza gostaria de ter?
Se você se empenha para ser “o vendedor” e seu empregador não enxerga isso, não se preocupe, o concorrente dele enxergará. É questão de tempo.

3) Como vendedor, você é um “respondedor de perguntas”, ou um “tirador de pedidos”, ou procura atender às necessidades dos possíveis compradores? Entende quais são suas demandas e procura ajudá-los realmente, ou quer apenas livrar-se de um chato, que lhe atazana com perguntas e pedidos?

Se você procura ser um “solucionador de problemas”, ou “alguém que pode ajudar”, saiba que os clientes tendem a “percebê-lo”, e vão lhe procurar sempre que precisarem de livros.

4) Você é só mais um na folha-de-pagamento de sua empresa, por acaso na posição de vendedor, ou procura valorizar cada centavo que ela gasta com você? Você é despesa ou investimento? Dá feedbacks possíveis para a gerência, área de compras, etc., sobre itens mais procurados, mas que a loja não tem em estoque? Apresenta sugestões sobre a melhor disposição e arrumação das estantes? Viu alguma coisa interessante no concorrente, que sua loja poderia aproveitar? Ou alguma falha que pode ser corrigida facilmente? Critica, com fundamento e educação, mas também dá sugestões quanto à solução?

Não se limite a dizer que sua empresa não dá espaço para isso. Na maior parte das vezes pode ser preguiça sua. Há maneiras sutis de sugerir, ajudar, criticar, sem parecer que está fazendo isso. Ache alguma!

E, mais uma vez, se seu empregador não enxerga ou valoriza seu esforço, o concorrente o fará.

5) Se seu propósito de vida está noutro local, que não na venda de livros, pergunte-se como seu emprego atual pode ajudá-lo a atingir sua meta. Talvez lhe sustente, até você encontrar o caminho para seu sonho. Talvez financie sua formação profissional. Talvez lhe propicie experiências, treinamento prático de habilidades que precisará lá.

Ache esses pequenos tesouros, valorize-os e explore cada
chance de aprender e crescer.

Algumas dicas:

 Peça ao seu empregador que disponibilize para você e os demais vendedores, cartões de visita da loja, para distribuir aos clientes, com telefones para contatá-los quando precisarem de algum livro. Não deixe de acrescentar seu nome e celular (à mão mesmo), para ser dado pelo menos àqueles clientes especiais.

Tenha cartões pessoais, sem o nome do empregador. Custam menos do que você imagina.

Essa dica vale para qualquer profissão!

 Procure conhecer quais são as demandas dos principais clientes – o que mais procuram? Como você pode ajudá-los mais?

Eles o marcarão, pode acreditar.

 Procure conhecer tudo sobre o mundo dos livros. Se não gosta de ler, trate de aprender a gostar. Torne-se um “vendedor de livros que ama livros”, ou será um escravo deles, um zumbi entre as prateleiras.

Leia os cadernos de leitura dos principais jornais e revistas – notícias, lançamentos, eventos da área. Esteja apto a conversar sobre livros com qualquer cliente. Não precisa ser um especialista – apenas ame os livros e ache uma linha que mais o agrade (romance? Poesia? Ficção científica? Filosofia? Religião? Divulgação científica?...).

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Bom! Poderíamos escrever páginas e páginas sobre isso. Mas vamos resumir numa frase

Procure ser o vendedor que seu empregador não gostaria de perder, e que o concorrente adoraria roubar.

É possível e está em suas mãos.

Colocando em prática essas reflexões e dicas, você poderá ser feliz no que faz, prosperar e buscar sua realização.

Grande abraço!

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